O melhor destino para quadros premium

O Poder da Edição

Habitualmente, fotografo em RAW. O RAW dá-me a flexibilidade máxima na edição futura da foto. A fotografia final tem mesmo de ser editada pois, como o nome indica o RAW está ´cru’. Tem de ser ‘cozinhado’ e preparado para os nossos olhos ‘comerem’!

Do RAW para a imagem final

A edição desta foto RAW (versão à esquerda), foi realizada no Capture One 20. O resultado final é a versão à direita, a preto&branco. Também já editei, esta mesma foto, no Lightroom, com resultado final semelhante. Essa versão, está no 500px, sendo uma das fotos a preto&branco mais pontuadas e visualizadas que temos nesta plataforma. Nas 24 horas de pontuação desse dia, chegou ao número 1 da categoria de preto&branco:

Primeira decisão: Manter a foto a cores ou converter para preto&branco?
Resolvi converter para preto&branco, pois neste caso a cor é uma distracção. O foco é o branco da igreja e o contraste com o telhado mais escuro. Também existe um contraste entre a parte de cima do céu e a parte de baixo e entre o centro da erva, mais clara e as partes laterais mais escuras.

Fiz um ‘crop’ na image, procurando retirar a parte esquerda da cerca e colocando o foco, mais na igreja.
Adicionei uma layer para eliminar o carro e os meus ‘camaradas de luta’ que estavam a mais na foto.
Adicionei outra layer para retirar sujidade do sensor, principalmente no céu. Nota: Neste altura o sensor ainda não estava muito sujo. Mais para o final da viagem ficou mau. Aqui tive de limpar uma série de aves que estavam a passar no céu e ficaram com rasto por causa da velocidade de obturação do disparo.

Adicionei umas layers  para ‘Dodge&Burn’ da erva, do céu e da igreja e para aumentar a nitidez da igreja.

A foto final ficou assim a preto&branco, mais ‘limpa’ e com foco na igreja. A cerca e a cor mais clara da relva ao centro servem de linha de guia para a igreja.

Para conclusão, relato o que me recordo, quando captei esta foto:

Estávamos na Islândia, a percorrer a ‘Ring Road’, quase a chegar a Vik, um pouco ansiosos para fotografar, pois tinha estado um dia muito mau.

Ao aproximar-se do pôr do sol, o tempo abriu um pouco. Vimos esta igreja ao longe e resolvemos ir lá fotografar. Ainda faltava mais de 1h para o pôr do sol (que acabamos por fazer no farol antes de Vik, no topo de um penhasco. Um excelente pôr do sol, diga-se de passagem).

A ideia inicial foi fotografar a igreja com a grande angular, junto à mesma. Por isso estacionamos o carro perto dela e saímos. Fiz essa foto, mas não estava a gostar do resultado. Entretanto apercebi-me da cerca que partia em direcção a nascente (lado contrário ao pôr do sol).

Resolvi ir a pé, até uma distancia que me permiti-se chegar junto da cerca e usar a lente de 135mm que tinha comigo. Troquei a grande angular por essa lente e fiz a foto. Ainda tentei chamar a atenção dos meus camaradas, para tirarem o carro e saírem do enquadramento, mas não me ouviram.

Fiz a foto mesmo assim, já a pensar em retirá-los na edição e porventura converter a foto a preto&branco. Penso que essa foi a melhor opção, mas é sempre um decisão pessoal.

Jorge Marques – 21 de novembro de 2020